No xadrez da política sul-mato-grossense, onde cada movimento costuma ser meticulosamente calculado, o diretório estadual do Avante sob a presidência do deputado estadual Lídio Lopes acaba de protagonizar um lance difícil de justificar. Em pleno ano de definições cruciais, quando as legendas deveriam funcionar como máquinas altamente eficientes para garantir o registro de candidaturas e o acesso aos fundos, a sigla em Mato Grosso do Sul simplesmente permitiu o vencimento de sua própria comissão provisória na Justiça Eleitoral.
O resultado dessa desatenção é um partido formalmente inativo no estado. A certidão de composição histórica do Tribunal Regional Eleitoral expõe uma realidade incômoda para o grupo comandado por Lídio Lopes, revelando que o prazo de vigência da última comissão estadual expirou e, até o momento, nenhuma nova ata foi validada para restabelecer a regularidade jurídica.
Para além do mero embaraço burocrático, a paralisia de um partido em um período que antecede convenções escancara uma falha severa de planejamento estratégico. Sem uma comissão ativa, a legenda perde a legitimidade para tomar decisões cruciais, realizar atos oficiais ou consolidar coligações. O episódio levanta uma dúvida inevitável sobre como uma liderança com mandato ativo e anos de experiência no legislativo estadual pôde deixar a base de sua própria sigla desamparada por inércia administrativa.
Enquanto os concorrentes avançam na articulação de alianças e na montagem de suas chapas, o Avante de MS se vê obrigado a correr contra o relógio para corrigir um erro básico de gestão interna. O caso expõe uma fragilidade estrutural que serve de alerta a quem pretende disputar espaços de poder: para viabilizar qualquer projeto eleitoral expressivo, o primeiro passo indispensável é garantir que a própria legenda esteja legalmente apta a funcionar.









