Enquanto o Paço Municipal prioriza intervenções estéticas e paisagismo na área central, periferia padece com crateras e obras paliativas.
A gestão municipal de Dourados insiste em projetar a imagem de uma cidade impecável, desenhada para os feeds das redes sociais e para os vídeos institucionais. Nos perfis oficiais do Paço Municipal, o cenário é sempre impecável: canteiros floridos, intervenções estéticas e máquinas trabalhando em ritmo acelerado na área central. No entanto, basta avançar poucos quilômetros rumo aos bairros para que a propaganda oficial desmorone diante da dura e esburacada realidade enfrentada pela população.
Enquanto o quadrilátero central recebe atenção obsessiva e investimentos contínuos em paisagismo e conservação, as vilas e bairros periféricos amargam um descaso que compromete a infraestrutura básica. Vias inteiras estão tomadas por crateras profundas que transformam o trânsito diário do trabalhador em um teste de paciência e prejuízo financeiro. É a consolidação de uma gestão que prioriza a maquiagem onde o comércio e o trânsito visível se concentram, relegando o cotidiano das comunidades ao segundo plano.
Inversão de Prioridades e Prejuízo ao Trabalhador
O contraste escancara uma evidente inversão de prioridades. O morador do bairro, que recolhe seus impostos da mesma forma que o morador da área nobre, precisa lidar com a famigerada operação tapa-buracos: um paliativo superficial que costuma escorrer na primeira chuva de verão.
O resultado desse modelo improvisado são valas abertas que danificam veículos, colocam em risco a vida de motociclistas e comprometem até a circulação do transporte coletivo e de serviços essenciais, como ambulâncias e viaturas.
Apresentar uma cidade perfeita nas redes sociais é tarefa fácil. O desafio real do Executivo municipal é governar para além do cartão-postal. A periferia de Dourados não precisa de filtros digitais nem de obras de fachada; exige o básico: o direito de ir e vir com segurança, dignidade e infraestrutura de qualidade.









