As pesquisas de intenção de voto mais recentes apontam o governador Eduardo Riedel como o nome a ser batido na corrida pelo governo estadual. Com índices consolidados, o atual chefe do Executivo aparece em levantamentos com potencial para liquidar a disputa ainda na primeira etapa da votação. No entanto, quem acompanha os bastidores da política regional sabe que o eleitorado local costuma esticar o jogo, fazendo do segundo turno uma tradição no estado.
A história recente das urnas reforça a tese de cautela. Na maioria das disputas pelo governo sul-mato-grossense, os eleitores precisaram voltar às urnas para definir o vencedor. O próprio Riedel viveu essa experiência na última eleição, quando enfrentou uma das disputas mais apertadas do estado para garantir o mandato.
Atualmente, a oposição tenta se organizar para quebrar o favoritismo governista. O principal bloco de enfrentamento vem da esquerda, liderado por Fábio Trad, que aparece em segundo lugar nos levantamentos e foca suas agendas em viagens pelo interior para encorpar a candidatura. Pelo campo da direita mais ideológica, João Henrique Catan tenta atrair o eleitorado ligado ao bolsonarismo, o que pode pulverizar os votos conservadores e tirar fôlego do atual governador.
De acordo com analistas políticos, a força de Riedel está na gigantesca aliança que construiu. Ele conseguiu unir partidos como o PP, PSD, parte do MDB e os remanescentes do PSDB, além de garantir o apoio de uma grande rede de prefeitos. Sua postura moderada agrada tanto investidores quanto o eleitor comum, permitindo que ele transite bem em diferentes setores sem se amarrar a radicalismos.
Para que a eleição ganhe uma nova etapa, a estratégia dos adversários depende de fraturar essa grande base aliada. O peso dos maiores colégios eleitorais também joga um papel crucial. Embora a capital concentre quase um terço dos eleitores, o interior historicamente decide a balança. Regiões densas, como a Grande Dourados, que soma cerca de 300 mil votos, e cidades polo como Três Lagoas e Ponta Porã são os verdadeiros termômetros da campanha.
O cenário aponta para uma eleição onde o governo entra com ampla vantagem estrutural e popular. Mas, se a oposição conseguir manter suas candidaturas firmes e evitar que o eleitorado se concentre em uma única opção, o estado manterá seu histórico de decidir os rumos do Palácio da Governadoria apenas na prorrogação.









