Luto, revolta e omissão: a conta da saúde em Dourados que está custando vidas

Linha Fina: Enquanto leitos do Antigo Hospital Santa Rita aguardam credenciamento pelo SUS há mais de um ano, a população sofre com a superlotação na rede pública e a falta de alinhamento político.

Dourados vive uma realidade dolorosa e inaceitável. De um lado, a propaganda oficial tenta convencer a população de que a saúde pública do município vai bem. Do outro, famílias choram a perda de seus entes queridos por falta de atendimento rápido, estrutura e leitos disponíveis. A morte de mais um cidadão na fila de espera não é um fato isolado, é o retrato de um sistema sufocado pela burocracia e paralisado pela falta de vontade política.

Enquanto a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Hospital da Vida enfrentam uma superlotação diária que esgota profissionais e pacientes, existe uma solução concreta que continua bloqueada. O Antigo Hospital Santa Rita, hoje Santa Casa/ Hospital Santa Rita, tenta há mais de um ano obter o credenciamento para atender pelo SUS. A estrutura está lá, pronta e capaz de desafogar a rede pública e salvar vidas imediatamente.

A pergunta que a população se faz todos os dias é simples: onde estão a Prefeitura de Dourados e o Governo do Estado?

Prefeito e Governador poderiam, com uma única reunião de trabalho séria e focada, analisar os gargalos financeiros e contratuais para liberar esses leitos. No entanto, o que se vê é um jogo de empurra sem fim. O Estado aponta responsabilidades para o Município, o Município repassa para o Estado, e, no meio dessa disputa política, quem paga o preço mais alto é o trabalhador que depende da saúde pública.

Casos de pessoas que morrem à espera de uma transferência ou de uma cirurgia urgente têm estampado os jornais da cidade com frequência alarmante. A imprensa local e o Ministério Público cobram respostas, mas as providências nunca chegam a tempo de salvar quem precisa hoje.

A saúde de Dourados não precisa de discursos bonitos nem de peças publicitárias. Precisa de leitos abertos, atendimento humano e gestão eficiente. Uma vida já foi perdida para o descaso, e a população tem todo o direito de exigir uma resposta urgente: quantas outras pessoas terão que morrer para que os gestores públicos tomem uma atitude?

Moradores e familiares cobram agilidade no credenciamento de leitos do SUS em Dourados diante do colapso no atendimento público de saúde.

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