A atual gestão da Cassems reelegeu sua diretoria em março de 2023 com 95% dos votos e um discurso afinado: o plano de saúde dos servidores públicos de Mato Grosso do Sul estava no azul, com superávit de R$ 18 milhões e nota 9 de 10 em ranking nacional de sustentabilidade. Quatro meses depois, a presidência estava na Assembleia Legislativa pedindo socorro de R$ 60 milhões do governo do Estado para evitar o colapso da instituição.
Agora, em 2026, a conta chegou para as famílias: a contribuição do cônjuge saltou de R$ 35 para R$ 450. Um reajuste de 1.185%. No mesmo ano em que os servidores tiveram aumento salarial de 3,81%.
O Rombo e o Histórico Financeiro
A justificativa da direção é o déficit de R$ 189 milhões na carteira de cônjuges — com arrecadação de R$ 61 milhões contra gastos de R$ 250 milhões. Para cada R$ 1 arrecadado, a Cassems gastou R$ 4,08. O número impressiona. Mas levanta uma pergunta que a gestão ainda não respondeu com clareza: esse rombo surgiu do nada em 2026, ou estava crescendo em silêncio enquanto a chapa se reelegeu?
Os próprios registros da entidade indicam a resposta. O déficit operacional já existia em 2023 — disfarçado pelo aporte emergencial do governo estadual.
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2023: Déficit operacional camuflado por aporte do governo.
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2024: Resultado negativo de R$ 14 milhões.
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2025: Resultado negativo de R$ 24 milhões, com projeção de R$ 120 milhões caso nada fosse feito.
A crise não chegou de surpresa. Ela foi se acumulando — e foi apresentada aos associados só quando não havia mais como adiar.
A Conta que Não Fecha
Há ainda um detalhe que incomoda nos números do reajuste: o déficit declarado é de R$ 189 milhões por ano. Com 42 mil cônjuges pagando R$ 415 a mais por mês, o impacto no caixa será de R$ 226,8 milhões anuais — R$ 37,8 milhões acima do rombo alegado. Para onde vai esse excedente? Até agora, sem resposta.
| Indicador | Valor Declarado / Calculado |
| Déficit Declarado pela Cassems | R$ 189.000.000 / ano |
| Arrecadação Nova Estimada | R$ 226.800.000 / ano |
| Excedente sem Justificativa | R$ 37.800.000 / ano |
Reações Políticas e Impacto no Servidor
Na Assembleia Legislativa, deputados de cinco partidos assinaram requerimento pedindo esclarecimentos técnicos sobre a origem do déficit e os critérios do reajuste. O presidente da Casa exigiu dados por unidade hospitalar, rejeitando o que chamou de “conta genérica”. A diretoria da Cassems prometeu comparecer quando convocada.
Para as 42 mil famílias afetadas, a conta é concreta:
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R$ 415 a mais por mês.
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R$ 4.980 por ano — mais do que o triplo do aumento salarial que receberam.
A prorrogação do prazo de pagamento, do dia 10 para o dia 26, foi anunciada como gesto de sensibilidade. Entre os servidores, a recepção foi irônica: se o dinheiro não existe no começo do mês, não existirá no final.
Com informações da ALMS, declarações públicas da direção da Cassems e dados da ANS.









