Com a cobrança do vereador Inspetor Cabral, surge a provocação inevitável: por que a Sanesul e a gestão municipal não aplicam no bairro o mesmo sistema moderno e sem cheiro que já funciona em outro ponto da cidade?
A rotina de quem mora no Jardim Água Boa virou um teste diário de paciência e saúde. Portas e janelas trancadas, ar pesado e o mau cheiro insuportável de esgoto tomam conta das ruas, afetando a vida de centenas de famílias. Diante das reclamações contínuas da comunidade, o vereador Inspetor Cabral (PSD) cobrou providências urgentes da Sanesul por meio de um ofício. No entanto, o caso expõe uma incoerência gritante na infraestrutura de Dourados: a cidade já conta com ponto de coleta e tratamento moderno, totalmente vedado, que não exala odor e não agride o meio ambiente.
Se a tecnologia limpa existe e já provou sua eficiência no próprio município, o que falta para atualizar o sistema do Jardim Água Boa? A omissão transforma o problema em uma violação ambiental contínua que se arrasta há anos sem a devida punição.
A legislação ambiental brasileira é rigorosa contra a poluição do ar e os danos à saúde coletiva. Contudo, a prestação do serviço no bairro parece caminhar à margem das regras. Como uma empresa concessionária permite que uma estrutura antiga continue penalizando a comunidade sem sofrer sanções imediatas da prefeitura?
Falta de vontade ou falta de multa? Onde está a fiscalização municipal?
A cobrança parlamentar exige vistorias técnicas e respostas formais da Sanesul, mas deixa uma pergunta no ar: onde está a atuação firme do órgão ambiental da Prefeitura de Dourados? É urgente que o diretor do Instituto de Meio Ambiente de Dourados (IMAM) faça uma visita imediata às imediações do bairro para ver de perto a gravidade da situação e tomar as providências cabíveis. É papel do município fiscalizar, autuar e aplicar multas pesadas contra qualquer descaso que comprometa o bem-estar público e a qualidade do ar.
No setor de engenharia sanitária e ambiental, soluções definitivas existem para eliminar o gás sulfídrico, substância responsável pelo cheiro de ovo podre do esgoto. Estruturas modernas utilizam sistemas avançados de desodorização, como:
-
Biofiltros e colunas de carvão ativado: Tecnologia que aspira os gases e utiliza microrganismos e filtragem profunda para neutralizar o cheiro antes de devolver o ar limpo à atmosfera.
-
Enclausuramento e exaustão controlada: Vedações completas dos poços e tanques que impedem o vazamento de qualquer gás para o ambiente residencial.
-
Lavadores de gases químicos: Equipamentos industriais que tratam os vapores tóxicos do saneamento.
Sem a aplicação de multas pesadas e sem a exigência da instalação imediata desses equipamentos, notificações correm o risco de virar apenas papel acumulado nas gavetas da burocracia. Punições financeiras costumam ser o único remédio capaz de acelerar os investimentos urgentes da concessionária.
Insalubridade diária e a cobrança por posicionamento político
Moradores relatam que a exposição diária aos gases do esgoto provoca dores de cabeça, náuseas e irritação nas vias respiratórias. O impacto é ainda mais grave entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, obrigadas a conviver com o ar contaminado dentro da própria casa.
Diante do sofrimento da comunidade, o apelo popular ganhou força. Um morador desabafou exigindo uma atitude mais drástica e direta do Poder Executivo: “Precisamos que o nosso prefeito venha até aqui e faça uma live mostrando a realidade, dizendo que não há condições de suportar isso”.
Para a população, na mesma proporção em que o prefeito faz transmissões ao vivo nas redes sociais para apresentar reformas, asfalto novo e outras realizações boas pela cidade, ele também deveria utilizar o mesmo espaço para mostrar os problemas crônicos que vêm de gerações. Dar visibilidade a esses gargalos antigos e cobrar a solução publicamente no próprio local seria uma atitude de extrema relevância para todas as famílias das imediações.
O saneamento básico é cobrado caro na conta mensal de cada morador. A legislação federal estabelece que o serviço público de água e esgoto deve ser adequado, eficiente e contínuo. Exigir que a população pague por uma estrutura ultrapassada que gera desconforto e risco de doenças viola o direito fundamental a um meio ambiente equilibrado e à saúde.
População exige igualdade no tratamento da cidade
O vereador pede no documento encaminhado à concessionária a identificação da causa do problema, ações corretivas imediatas e a apresentação de um cronograma claro de manutenção.
O morador do Jardim Água Boa paga a mesma taxa de esgoto de qualquer outra região da cidade e exige o mesmo padrão de modernidade e respeito ambiental. Dourados não pode aceitar moradores de primeira e de segunda classe. A população exige a presença atuante da fiscalização municipal e a modernização imediata da estrutura para devolver a dignidade e o ar puro ao bairro.









