O apagão na educação de Campo Grande: a greve dos professores e a conta das promessas não cumpridas

O fechamento das escolas da Rede Municipal de Ensino (Reme) em Campo Grande não é apenas um reflexo de portas trancadas ou de cartazes que avisam aos pais sobre a falta de aulas. O cenário é o resultado previsível de promessas políticas não cumpridas e da falta de compromisso com a valorização de quem segura a base da sociedade dentro da sala de aula. Ao cruzarem os braços e marcharem em direção à prefeitura, os professores não estão fazendo um mero protesto, mas sim exigindo que o Executivo municipal honre o reajuste de 5,4 por cento previsto na histórica política do Piso 20 horas.

A tentativa da Secretaria Municipal de Educação (Semed) de justificar o descumprimento do acordo com mudanças nos cálculos do Fundeb e falta de repasses proporcionais soa como uma desculpa burocrática desgastada. Quando o município assume um compromisso com os educadores, o planejamento financeiro deve ser a prioridade absoluta, e não um detalhe que se descarta no primeiro obstáculo orçamentário. O argumento da administração municipal falha ao não reconhecer que investir na educação exige, antes de tudo, cumprir as leis e os acordos firmados com a categoria.

A unanimidade da paralisação, decidida em assembleia pelo sindicato da categoria (ACP), demonstra o tamanho da indignação coletiva. Os prejuízos causados pela suspensão das atividades pedagógicas e administrativas recaem, infelizmente, sobre as famílias e os estudantes, mas a culpa desse apagão escolar não pode ser atribuída aos professores. A responsabilidade é inteiramente da prefeitura, que ao empurrar propostas insuficientes e arrastar as negociações, encurralou os profissionais e forçou a paralisação como o último recurso de defesa para a dignidade do magistério.

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