Uma realidade cruel e invisível que se arrasta há décadas na Reserva Indígena de Dourados está prestes a ganhar um capítulo de esperança. A Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) abriu oficialmente o processo licitatório para a contratação da empresa que perfurará o primeiro poço tubular da rede de abastecimento na aldeia Jaguapiru. O projeto, orçado em mais de R$ 4,4 milhões nesta etapa inicial, atende a um apelo humanitário urgente de milhares de famílias que hoje lutam diariamente pelo acesso à água potável — um direito humano básico e vital para a sobrevivência.
Atualmente, centenas de moradores da Reserva convivem com a escassez severa. Enquanto algumas localidades não possuem qualquer tipo de encanamento, outras sofrem com torneiras perpetuamente secas por falta de pressão ou infraestrutura adequada. Para mitigar a crise, caminhões-pipa abastecem a região periodicamente. No entanto, o volume entregue está longe de ser o suficiente para suprir as necessidades de consumo, higiene pessoal e limpeza das casas.
O preço do desabastecimento: Saúde em risco crônico
Essa dependência de soluções improvisadas cobra um preço alto da saúde da comunidade. Sem água encanada e regular, os indígenas são forçados a armazenar o recurso em caixas d’água e recipientes improvisados. Essa estocagem forçada acabou gerando um efeito colateral grave: um levantamento recente apontou que 90% dos focos do mosquito transmissor da Chikungunya na Reserva estavam concentrados justamente nesses reservatórios domésticos que os moradores usam para tentar sobreviver. Assim, a falta de água adequada não gera apenas sede, mas também alimenta epidemias locais.
Detalhes técnicos e investimento no futuro da Reserva
O aviso de lançamento da concorrência eletrônica foi publicado no Diário Oficial do Estado. As propostas das empresas interessadas, que disputarão pelo critério de menor preço, serão abertas no dia 3 de junho, às 9h30.
A obra faz parte de um macroprojeto de saneamento elaborado pela Sanesul, estimado no total em R$ 50,7 milhões. Quando totalmente concluído, o sistema operará com duas redes independentes para atender de forma definitiva tanto a aldeia Jaguapiru quanto a aldeia Bororó.
A estrutura completa prevê uma capacidade de captação de 150 mil litros de água por hora através do poço tubular, além de tratamento por cloração, dois grandes reservatórios de 500 mil litros e um reservatório elevado de 50 mil litros. Ao todo, serão implantados mais de 184 quilômetros de rede de distribuição (103,84 km na Bororó e 80,9 km na Jaguapiru), totalizando quase 6 mil ligações domiciliares diretas.
Com uma projeção populacional planejada para o ano de 2033, a obra foi dimensionada para comportar e proteger o atendimento de 29,4 mil habitantes. No entanto, a liberação do fluxo total de água só ocorrerá quando todas as ligações estiverem concluídas, garantindo que o benefício chegue de maneira simultânea e igualitária a todas as famílias que há tanto tempo esperam pelo fim da torneira vazia.
Com informações do Site Dourados News









