Epidemia de chikungunya em Dourados expõe falha grave na prevenção

A quarta morte por chikungunya na Reserva Indígena de Dourados (MS) escancara uma realidade dura: a doença avançou, virou epidemia e cobrou vidas — enquanto a prevenção ficou para depois.

De acordo com a Vigilância em Saúde, em boletim divulgado nesta segunda-feira (16), o cenário nas aldeias Jaguapiru e Bororó já é crítico. Em poucas semanas, os casos dispararam e o município agora corre atrás de um problema que deveria ter sido enfrentado com antecedência.

As vítimas mostram a gravidade e a urgência que faltou: uma mulher de 69 anos (26 de fevereiro), um homem de 73 anos (9 de março), um bebê de apenas 3 meses (10 de março) e outra mulher de 60 anos (12 de março). Não são apenas estatísticas — são vidas perdidas em uma situação que exige respostas.

Na Reserva Indígena, já são 407 casos notificados, sendo 202 confirmados. Em Dourados, o total chega a 912 notificações, com 379 confirmações. Mesmo com uma população muito menor, a incidência nas aldeias é muito mais alta — um sinal claro de vulnerabilidade e, também, de falhas na prevenção.

E a pergunta que fica é inevitável: onde estavam a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) antes da crise se instalar? Por que o trabalho de combate não foi intensificado antes da explosão de casos?

Agora, após quatro mortes, a gestão mobiliza força-tarefa, vistoria imóveis, elimina focos e aciona até a Força Nacional do SUS. Medidas importantes, mas tardias diante do cenário que já se consolidou.

Foram identificados 1.004 focos do mosquito — em caixas d’água, lixo e pneus. Um problema conhecido, previsível e evitável. Faltou fiscalização? Faltou ação? Ou faltou prioridade?

Gestão pública se faz com presença, planejamento e trabalho contínuo — não apenas com postagens em redes sociais que mostram recortes positivos enquanto a realidade se agrava nos bairros e nas aldeias. A comunicação não pode substituir a ação.

A população agora convive com o medo, enquanto o poder público tenta conter o avanço da doença. Mas o alerta já está dado: quando a prevenção falha, o preço vem — e, neste caso, foi pago com vidas.

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