ILUMINAÇÃO PÚBLICA: ENTRE O DISCURSO E A REALIDADE DOS BAIRROS

Moradores relatam que apenas vias principais foram contempladas; presidentes de bairros cobram atenção da gestão municipal

Enquanto a gestão municipal anunciou em rádio local que bairros como Dioclécio Artuzi, Harrison de Figueiredo e Grenville, entre outros, estariam com a iluminação pública completamente renovada, moradores que vivem nessas regiões contam uma história bem diferente.

“Ouvi no rádio que nosso bairro estava todo iluminado, que as lâmpadas tinham sido trocadas. Mas quando chego na minha rua, a escuridão é a mesma de sempre”, desabafou uma moradora do Harrison de Figueiredo, que preferiu não se identificar. Segundo ela, apenas as vias principais receberam alguma atenção — o restante das ruas permanece mergulhado na escuridão.

Redes sociais expõem o que o poder público não enxerga

A situação não passa despercebida pelos líderes comunitários. O presidente do bairro Estrela Porã tem utilizado as redes sociais para registrar e marcar, poste por poste, os pontos sem iluminação em sua área e nas adjacências. As imagens e vídeos publicados mostram que o problema é extenso e atinge diversos logradouros — e não são casos isolados.

A iniciativa do presidente de bairro revela não apenas o descaso com a infraestrutura urbana, mas também uma falha grave de comunicação entre a base da comunidade e o alto escalão da administração municipal.

Falta de entrosamento entre secretarias e a realidade das ruas

A pergunta que muitos moradores fazem é direta: será que os responsáveis pelo setor de iluminação estão passando a realidade ao prefeito? Ou os relatórios que chegam à mesa do gestor pintam um cenário diferente do que se vive nas ruas?

A desconexão entre o que é informado internamente e o que a população efetivamente experimenta aponta para uma falha de entrosamento entre as secretarias municipais — um problema que, se não corrigido, compromete não apenas a iluminação, mas toda a gestão das demandas urbanas.

O papel dos presidentes de bairro — e a necessidade de ouvi-los

Especialistas em gestão pública e lideranças comunitárias são unânimes: o presidente de bairro é o elo mais direto entre a administração municipal e o cidadão. É ele quem ouve as queixas na porta de casa, quem sabe quais ruas estão perigosas à noite, quem conhece de perto as reais necessidades da comunidade.

Nesse sentido, uma integração mais efetiva entre a prefeitura e os presidentes de bairro não é apenas desejável — é necessária. Reuniões periódicas, canais de comunicação diretos e visitas técnicas conjuntas seriam passos concretos para que o gestor municipal tenha uma visão mais fiel da situação, não apenas da iluminação, mas de todas as demandas que afligem a população.

Na rádio, tudo perfeito. Nas ruas, outra história

Enquanto isso, a população segue o seu dia a dia ouvindo na rádio que parece estar tudo perfeito na cidade — vai, vem, e o discurso se repete. Mas basta sair das ondas do rádio e caminhar pelos bairros para que a realidade se imponha: postes apagados, ruas escuras e uma sensação crescente de que o que é dito não corresponde ao que é vivido.

A pergunta que ecoa entre os moradores é simples e direta: quando vamos sair da rede social e da rádio e encarar de frente a realidade dos bairros? Quando o gestor vai trocar o microfone pela visita presencial, o relatório de gabinete pelo olhar sobre a rua?

A pergunta que fica Diante de tudo isso, a população aguarda — e cobra. Será que desta vez a iluminação chegará de verdade às ruas esquecidas? Será que os postes marcados pelo presidente do Estrela Porã finalmente receberão as lâmpadas que precisam? Será que a gestão municipal vai ouvir quem está na ponta, quem conhece o bairro palmo a palmo?

A comunidade espera. As ruas continuam escuras. E a resposta, por enquanto, ainda não veio.

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