Promessas no Palanque, Falhas na Gestão: Um Ano e Dois Meses de Desorganização em Dourados

Passaram-se um ano e dois meses da atual gestão municipal em Dourados. É tempo mais do que suficiente para colocar a máquina pública para funcionar, revisar contratos, corrigir editais e definir prioridades. Ainda assim, o que a população vê é a repetição de problemas básicos — daqueles que deveriam ter sido resolvidos logo no começo do mandato.
A denúncia do vereador Cabral (PSD) sobre viaturas da Guarda Municipal paradas por falta de manutenção não é um simples detalhe administrativo — é sinal de problema maior. Segundo ele, veículos estariam fora de circulação por falta de manutenção preventiva e corretiva. Se isso se confirmar, não se trata apenas de descuido, mas de falha clara de planejamento. Segurança pública não combina com improviso.
É comum que o início do ano tenha ajustes no orçamento e contenção de despesas. Mas há áreas que não podem esperar. Segurança e saúde são serviços essenciais. Manutenção preventiva e corretiva da frota não é luxo, não é favor — é obrigação básica da administração. Quando faltam contratos ativos, cronogramas preventivos ou organização mínima, o problema não é falta de dinheiro. É falta de gestão.
A responsabilidade pela frota municipal é da Secretaria de Administração. Cabe à pasta garantir que os veículos estejam prontos para circular. Viatura parada por falta de manutenção não é surpresa: é negligência operacional.
E o problema não fica só na segurança. A iluminação pública virou motivo constante de reclamação. Ruas escuras aumentam a sensação de insegurança, prejudicam o comércio e dificultam a vida de quem precisa sair à noite. Enquanto isso, a taxa de iluminação continua sendo cobrada todo mês na conta de energia. O cidadão paga em dia — o serviço, porém, não corresponde.
Somente agora, depois de mais de um ano de gestão, houve avanço na licitação da iluminação pública — e ainda após correções exigidas pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul. Isso mostra atraso e falhas técnicas que poderiam ter sido evitadas com planejamento desde o início do mandato. Edital mal feito não é detalhe burocrático; é sinal de despreparo administrativo.
Nesse cenário, repercutiu a declaração da vereadora Isa Marcondes, ao afirmar que o prefeito precisa “parar de catar galhos” e focar na administração da cidade — mais gestão e menos redes sociais. A crítica não é sobre comunicação, é sobre prioridade.
Há também um ponto político que não passa despercebido. No passado, quando era comunicador e empresário do rádio, o atual prefeito fazia críticas duras à gestão anterior. Falava em falta de planejamento, dizia que o secretariado era fraco e que a Prefeitura não tinha comando. O discurso era firme, a cobrança pesada.
Hoje, a situação é outra. A cadeira mudou de lado. E as reclamações que se ouvem nas ruas são muito parecidas: planejamento insuficiente, falhas administrativas e serviços essenciais que não andam como deveriam.
Outro ponto que precisa ser dito: gestão pública se faz com responsabilidade e respeito a um dos maiores patrimônios herdados por qualquer prefeito — os servidores efetivos. São eles que conhecem a máquina por dentro, que estão há anos nos setores, que sabem onde estão os gargalos e as soluções. Experiência não se improvisa.
A eleição acabou no dia da posse. A partir dali, todos passam a trabalhar para a cidade. Servidor efetivo não é adversário político. É peça fundamental para que a gestão funcione. Se há casos de perseguição por apoio a A ou B no período eleitoral, isso é grave. Além de injusto, pode configurar assédio moral, passível de responsabilização administrativa e até civil.
Servidor desmotivado, pressionado ou perseguido não produz. E quem paga a conta é a população.
Na política, criticar é fácil. Governar exige organização, equipe preparada e capacidade de fazer acontecer.
Dourados não precisa de comparação com o passado nem de discurso justificando erro. Precisa de resultado. Um ano e dois meses depois, a régua já não mede promessa. Mede entrega. E é nessa régua — a do dia a dia da população — que qualquer governo é avaliado.

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