UNIÃO DEVE COMPRAR FAZENDAS PARA RESOLVER CONFLITOS DE TERRAS EM MS

UNIÃO DEVE COMPRAR FAZENDAS PARA RESOLVER CONFLITOS DE TERRAS EM MS

Para resolver os problemas fundiários em Mato Grosso do Sul, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) pode comprar as terras de fazendeiros e entregar aos indígenas, assim como fez na Terra Indígena TI Ñande Ru Marangatu, em Antônio João, no ano passado.

Segundo o ministro em exercício do MPI, Eloy Terena, foi criada na semana passada, após reunião que ele teve com o governador Eduardo Riedel, uma força-tarefa que vai focar em resolver a disputa por terras em três municípios de Mato Grosso do Sul: Dourados, Douradina e Caarapó. Este último, inclusive, foi o motivo de que esse plano fosse montado, após confronto entre a polícia e os indígenas.

A promessa dessa solução para essa região já foi feita em outras vezes, mas agora o ministro afirma que o acordo que deverá ser costurado deve ser semelhante ao de Antônio João, onde os fazendeiras tiveram suas terras adquiridas pela União por um preço de mercado e que as repassou para o povo indígena Guarani-Kaiowá da região.

“Vamos sentar, junto com a equipe do Ministério, olhar cada um desses processos e buscar caminhos diferentes para ele, soluções jurídicas diferentes. Não vai ser o rito demarcatório da [Função Nacional dos Povos Indígenas] Funai. Vamos pensar em fazer algo parecido com o que foi feito lá em Marangatu, aquele acordo que fizemos no ano passado, que inclusive está completando um ano”, declarou Eloy Terena.

O acordo foi feito após um protesto de indígenas da etnia guarani-kaiowá contra a pulverização de agrotóxicos em aldeias terminar com dois feridos a balas de borracha pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar, no dia 22 deste mês, em Caarapó.

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os indígenas foram até a Fazenda Ipuitã, área sobreposta à Terra Indígena Guyraroká, onde se concentrou o protesto para impedir a pulverização de veneno e também para reivindicar a conclusão do procedimento de demarcação.

Ainda segundo o Cimi, um acordo para a saída e retirada de pertences de funcionários da fazenda estava em andamento.

Sem a intermediação da Funai, equipe do Batalhão de Choque teria feito o despejo dos indígenas sem ordem judicial e com uso de violência, e foram disparados tiros de balas de borracha. A Força Nacional estaria presente, mas não interveio.

A Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), porém, afirmou que a Polícia Militar foi acionada com denúncia de que o caseiro da fazenda e sua esposa eram mantidos como reféns. A secretaria ainda afirma que teria havido negociação e que não foi necessário uso de força.

A situação na região é motivo de briga há décadas entre fazendeiros e indígenas e teve seu episódio mais sangranto em junho de 2016, quando a disputa, que depois foi chamada de “Massacre de Caarapó”, resultou na morte de Clodiode Aquileu Rodrigues de Souza, agente de saúde guarani-kaiowá, e deixou outros seis indígenas baleados e dezenas de indígenas feridos.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF) em sua denúncia, os cinco proprietários rurais organizaram, promoveram e executaram o ataque à comunidade Te’yikue. Cerca de 40 caminhonetes, com o auxílio de três pás carregadeiras e mais de 100 pessoas, muitas delas armadas, retiraram à força um grupo de aproximadamente 40 indígenas guarani-kaiowá de uma propriedade ocupada por eles.

Os fazendeiros Nelson Buaianin Filho, Virgílio Mettifogo, Jesus Camacho, Dionei Guedin e Eduardo Yoshio Tomonaga negaram todas as acusações, mas a Justiça Federal determinou que eles fossem julgados em júri popular.

Em Dourados, o problema é o tamanho da comunidade indígena da região, que cresceu tanto que as duas Reservas Indígenas do município, Jaguapiru e Bororó, não comportam mais essa população. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade tem 13.473 pessoas indígenas.

Com essa quantidade de pessoas, muitos indígenas moram à beira de rodovias, o que motivou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em visita à Campo Grande no ano passado, a cogitar a compra de propriedade na região para abrigar a comunidade.

Já o caso de Douradina se arrasta desde o ano passado, quando houve tensão entre fazendeiros e indígenas, que tentavam ocupar uma área maior na comunidade Panambi-Lagoa Rica. As conversas para esse acordo chegaram a ter início, mas não foram concluídas ainda.

O 25 de setembro de 2024 ficou marcado na história como a data do primeiro acordo entre União e fazendeiras para a demarcação de uma terra indígena.

Em mediação feita no Supremo Tribunal Federal (STF), o governo federal e o governo do Estado concordaram em pagar R$ 146 milhões de indenização para proprietários rurais de Antônio João, o que resultou na homologação da Terra Indígena TI Ñande Ru Marangatu, de 9.317 hectares.

O pagamento foi feito um mês depois e no dia 14 de novembro do ano passado todos os proprietários rurais deixaram a região, que passou a ser somente da comunidade indígena.

O acordo firmado na semana passada pelo ministro em exercício do Ministério dos Povos Indígenas e pelo governo do Estado também inclui pedido para uma nova abordagem da Polícia Militar para com os indígenas.

Essa matéria usou como fonte uma matéria do site Pronto Falei MS

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