O prédio que deveria ser a nova sede da Câmara Municipal de Dourados voltou ao centro das críticas. Abandonada e após consumir cerca de R$ 3,5 milhões em dinheiro público, a obra é vista por parte da população como símbolo de desperdício, improviso e má gestão.
O debate ganhou força após o farmacêutico e comerciante Racib Panage Harb usar as redes sociais para cobrar explicações. Em vídeo publicado no Instagram, ele afirmou ter tomado conhecimento de que o Ministério Público solicitou esclarecimentos à Câmara sobre o destino da obra paralisada. A resposta do Legislativo, informando que estuda ampliar o contrato para retomar a reforma, reacendeu a polêmica.
Para críticos da obra, insistir na reforma do prédio é repetir erros do passado. Além do alto custo, a estrutura, mesmo se recuperada, não resolve uma das principais demandas da população: a falta de estacionamento no local. Na prática, mesmo com novos investimentos, servidores e moradores que frequentam a Câmara continuariam enfrentando dificuldades de acesso.
Outro ponto levantado no debate é o custo-benefício da decisão. Avaliações técnicas indicam que reformas em prédios com problemas estruturais tendem a custar mais caro do que a construção de uma obra nova, especialmente quando há correções, adaptações e sucessivos aditivos contratuais. Já um novo prédio permitiria planejamento adequado, considerando desde o início as reais necessidades da Câmara Municipal, como acessibilidade, funcionalidade, estacionamento e melhor atendimento ao público.
O episódio ganha contornos ainda mais graves pelo fato de que o próprio Legislativo contava, à época da elaboração do projeto de reforma, com dois vereadores com formação em Arquitetura. Atualmente, a Câmara segue tendo ao menos um parlamentar com essa formação técnica.
Após a publicação das críticas, um dos arquitetos entrou em contato com a reportagem para esclarecer que ambos foram contrários à reforma do prédio, justamente por avaliarem que a estrutura não atendia às necessidades do Legislativo e apresentava limitações técnicas que comprometeriam o custo e a funcionalidade da obra.
Para críticos, a informação reforça a percepção de que faltou critério técnico e escuta qualificada no processo de decisão, tornando ainda mais difícil justificar erros de concepção, falhas de planejamento e a insistência em uma solução considerada ineficiente e onerosa.
O caso também expõe a falta de responsabilização pelos erros cometidos nas etapas anteriores da obra. Até o momento, não há informações claras sobre punições a responsáveis técnicos ou sobre eventuais irregularidades identificadas durante a execução do projeto, o que amplia a insatisfação da sociedade.
Diante do histórico de problemas, cresce a avaliação de que a Câmara deveria reavaliar o caminho adotado. A defesa da construção de um novo prédio, moderno e planejado, ganha força justamente por evitar retrabalho, novos gastos e a repetição de falhas que já custaram milhões aos cofres públicos.
Mesmo sem ocupar cargo eletivo, Racib segue atuante nas redes sociais, cobrando transparência e fiscalização na aplicação do dinheiro público. O tema deve continuar em debate, à medida que a população acompanha de perto os próximos passos do Legislativo e cobra uma solução definitiva para o impasse.









