Selic em 15 por cento mantém juros e surpreende mercado

Selic em 15 por cento mantém juros e surpreende mercado

Selic em 15 por cento foi mantida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na reunião de 10 de dezembro de 2025, em decisão unânime dos membros do colegiado. A decisão confirma a manutenção da taxa básica de juros no maior patamar desde 2006 e reforça a estratégia da autoridade monetária de sustentar uma política significativamente contracionista por período bastante prolongado.

Contexto e decisão

O Copom justificou a manutenção da Selic em 15 por cento com base em um cenário marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência da atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Essa foi a quarta reunião consecutiva sem alteração na taxa, após sete altas seguidas que elevaram os juros ao nível atual. A política monetária mais restritiva teve início em setembro do ano anterior, quando o comitê interrompeu cortes e elevou a Selic de 10,50% para 10,75% ao ano.

Impacto da Selic em 15 por cento na economia

A manutenção da Selic em 15 por cento pressiona o custo do crédito, reduz o consumo e tende a desacelerar investimentos ao longo dos próximos trimestres. O aumento do custo do dinheiro é a ferramenta usada pelo Banco Central para desaquecer a demanda e conter a formação de preços. No entanto, o colegiado ressaltou que, mesmo com sinais de arrefecimento em algumas medidas de inflação, os indicadores monitorados continuam acima das metas, o que explica a postura cautelosa.

Mercado de trabalho e atividade

O comunic ado do Copom destacou a resiliência do mercado de trabalho e uma moderação no crescimento da atividade econômica, conforme os dados mais recentes do Produto Interno Bruto (PIB). Esses elementos ajudam a calibrar a avaliação do impacto dos juros altos sobre a economia real.

Expectativas do mercado e projeções

Os analistas consultados no relatório Focus projetam que a Selic encerrará o ano em 15% e estimam retrações graduais nos próximos anos: 12,38% para 2026, 10,50% para 2027 e 10% para 2028. Essas previsões indicam que o mercado não aposta em uma queda rápida dos juros para patamares de dois dígitos durante o atual governo nem ao longo do mandato do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Cenário externo e próximos passos

O Copom também observou riscos externos, incluindo anúncios de tarifas comerciais pelos Estados Unidos ao Brasil e os efeitos de desenvolvimentos da política fiscal doméstica sobre ativos financeiros. Na mesma quarta-feira, o Federal Reserve dos EUA divulgou um corte de 0,25 ponto percentual, movimento observado pelo BC ao avaliar o cenário global. O colegiado deixou claro que acompanhará a evolução dos indicadores e não hesitará em ajustar a política monetária se necessário.

Próxima reunião

O comunicado manteve o tom cauteloso e não indicou cortes na primeira reunião de 2026, agendada para 27 e 28 de janeiro. O Copom reafirmou que avaliará se a manutenção do nível corrente da taxa por período prolongado será suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.

Conclusão

A manutenção da Selic em 15 por cento reforça a prioridade do Banco Central no controle da inflação diante de expectativas ainda desancoradas. Consumidores e empresas devem observar o efeito sobre crédito e investimentos, enquanto o mercado monitora sinais de acomodação inflacionária e possíveis ajustes futuros da autoridade monetária.

Essa matéria usou como fonte uma matéria do site Metrópoles

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