Saída de Juscelino Cabral do comando da autarquia reacende debate sobre falta de planejamento e gestão no setor
Dourados (MS) – A exoneração do diretor da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Juscelino Cabral, escancarou mais uma crise dentro da administração municipal. Embora a versão oficial fale em “pedido de exoneração”, a informação é recebida com descrédito por servidores e observadores da política local, que veem no caso mais um exemplo da prática recorrente do governo em substituir nomes sem enfrentar os problemas estruturais da cidade.
Juscelino Cabral estava à frente da Agetran desde o início do ano, e sua saída ocorre em um momento em que Dourados enfrenta sérios desafios na mobilidade urbana. A cidade registra alto número de acidentes, sinalização precária e ausência de um plano de trânsito de longo prazo — questões que seguem pendentes há várias gestões.
O trânsito de Dourados continua sendo um dos maiores gargalos da administração municipal. Ruas com tráfego intenso, cruzamentos perigosos e falta de infraestrutura adequada refletem a carência de políticas públicas consistentes e integradas entre os setores da prefeitura.
A situação expõe mais uma vez a falta de planejamento e articulação interna, reforçando a percepção de que o governo municipal tem se concentrado em ajustes políticos em vez de medidas técnicas e duradouras.
O episódio também revela uma contradição política. O prefeito Marçal Filho, que antes, como radialista, era um dos principais críticos da falta de gestão no trânsito, agora enfrenta do outro lado do balcão as mesmas cobranças que fazia. A troca de comando na Agetran não deve, por si só, alterar esse cenário.
Nos bastidores, comenta-se que outros secretários também vivem sob a mesma tensão: ou pedem para sair, ou serão exonerados. Enquanto isso, o trânsito de Dourados segue caótico — e a população continua à mercê de uma administração que ainda não encontrou o rumo nem para o tráfego, nem para a própria gestão.
Dourados precisa de um diretor técnico e comprometido com o trânsito, capaz de planejar ações, ouvir especialistas e priorizar a segurança. Uma cidade que cresce rapidamente, como Dourados, exige planejamento e visão — não apenas trocas de nomes no comando.









