Enquanto Mato Grosso do Sul enfrenta desafios reais em áreas como saúde, segurança pública e desenvolvimento econômico, a Assembleia Legislativa (ALEMS) volta a se reunir nesta terça-feira (24) com uma pauta considerada tímida e distante das urgências da população.
A sessão, marcada para às 9h, deve votar apenas três propostas — todas com baixo impacto estrutural — reforçando a percepção de um Legislativo que ainda patina quando o assunto é enfrentar temas mais espinhosos.
Entre os projetos em segunda votação está o PL 195/2025, do deputado Roberto Hashioka (União Brasil), que inclui no calendário oficial do Estado o “Caminho Imaculado Coração de Maria”, peregrinação religiosa realizada anualmente no mês de maio.
O trajeto, com cerca de 160 quilômetros, percorre os municípios de Bataguassu, Anaurilândia, Batayporã e Nova Andradina, reunindo fiéis em uma iniciativa inspirada no Caminho da Fé, tradicional no Sudeste do país. Apesar do valor cultural e religioso, a proposta escancara a preferência por pautas simbólicas em detrimento de projetos com impacto direto na vida do cidadão.
Na mesma linha, entra em discussão única o PL 010/2026, do deputado Pedro Caravina (PSDB), que concede título de utilidade pública à Associação de Amparo às Crianças de Camapuã — Creche Menino Jesus. A entidade, que atua desde 1995, desenvolve um trabalho reconhecido na área social, mas o tipo de proposta já se tornou rotina no Legislativo, sem avançar em soluções mais amplas para a assistência social no Estado.
Fechando a pauta, o Projeto de Resolução 001/2026, do deputado Renato Câmara (MDB), institui uma medalha de homenagem aos rotarianos de Mato Grosso do Sul. A honraria será entregue anualmente, em sessão solene, reforçando o caráter cerimonial de parte significativa das atividades da Casa.
Na prática, a sessão desta terça-feira repete um roteiro já conhecido: projetos de reconhecimento, homenagens e inclusão em calendário oficial, enquanto temas estruturais seguem fora do debate central.
Para uma população que cobra respostas mais efetivas, a pergunta que permanece é até quando o Parlamento estadual seguirá priorizando o simbólico em vez do essencial.









