A educação inclusiva em Dourados, no atual estágio da gestão municipal, enfrenta um gargalo que vai além das leis. É a realidade do aprendizado dentro da sala de aula. O News do MS conversou com mães atípicas que expressam uma preocupação legítima sobre como um único professor de apoio pode mediar o ensino de três ou mais alunos simultaneamente sem comprometer a alfabetização de todos.
O desabafo de quem vive a causa
Para muitas dessas mães, o reconhecimento ao trabalho do professor é total, mas a conta pedagógica parece não fechar. O argumento é simples e direto. Se para uma mãe cuidar e educar um único filho com necessidades específicas já é um desafio diário que exige atenção plena, como exigir que um professor alfabetize três ou quatro crianças na mesma sala?
Essa sobrecarga gera um efeito cascata. Segundo os relatos, o aluno de inclusão corre o risco de não atingir seu potencial, o professor regente enfrenta um desgaste que impacta a turma toda e o aprendizado dos demais alunos acaba sofrendo interrupções. A inclusão efetiva não pode ser apenas uma matrícula. Ela precisa de suporte real para que o ambiente escolar seja produtivo para cada estudante presente.
Apoio Legislativo: Lia Nogueira e Neno Razuk
A deputada Lia Nogueira traz para o debate uma autoridade que nasce da própria pele. Como mãe atípica, ela conhece a angústia de cada família que luta por um direito básico. Através do PL 36/2026, a parlamentar defende com firmeza a preservação do vínculo entre professor e aluno, entendendo que a continuidade desse suporte é muito mais que uma regra escolar. Para Lia, manter esse elo é a única forma de garantir a segurança emocional da criança e o equilíbrio pedagógico da sala, protegendo o desenvolvimento do filho e devolvendo a tranquilidade ao coração das mães que hoje vivem em constante estado de alerta.
Nessa mesma linha, o deputado Neno Razuk contribui com leis fundamentais, como a Lei Estadual nº 5.613/2020, que torna o laudo do TEA permanente, eliminando burocracias que travam o acesso ao suporte escolar. A união dessas forças mostra que o suporte precisa ser integral, garantindo que o professor de apoio tenha condições de focar no ensino e não apenas na gestão de crises.
Gestão ou Economia? A pergunta que precisa de resposta
O questionamento central que o News do MS deixa para a Secretaria de Educação e para a Prefeitura é técnico e financeiro. A secretaria está analisando a necessidade real de cada aluno, caso a caso, ou estaria priorizando uma possível economia administrativa?
É importante lembrar que os recursos destinados à educação especial são, em sua maioria, verbas carimbadas. Se o recurso existe e não for aplicado corretamente no suporte ao aluno, existe o risco técnico de que precise ser devolvido, o que seria um contrassenso diante da carência das nossas escolas. Se um aluno demanda atenção exclusiva para ser alfabetizado, o suporte compartilhado pode vir a ferir o direito garantido pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e ignorar a finalidade do investimento público.
O papel do Legislativo e a transparência pública
A deputada Lia Nogueira e o deputado Neno Razuk seguem formalizando indicações e requerimentos junto ao Governo do Estado e à Prefeitura de Dourados. O objetivo é que as leis aprovadas na Assembleia Legislativa não parem na fronteira da burocracia municipal. Para os parlamentares, a inclusão deve ser acompanhada de orçamento e de uma gestão que entenda que o professor de apoio é o braço direito da alfabetização.
É fundamental que a Comissão de Vereadores e todo o Legislativo Municipal fiscalizem de perto essas ações, pois trata-se de um assunto delicado e de interesse direto de toda a população, especialmente das mães atípicas.
O News do MS deixa o espaço aberto para que a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e a Prefeitura de Dourados se posicionem sobre os critérios adotados na distribuição dos alunos por professor de apoio. A sociedade douradense aguarda esclarecimentos sobre como o município planeja otimizar o uso das verbas carimbadas para que nenhum aluno atípico fique para trás e nenhum professor precise sacrificar sua saúde para tentar cumprir o impossível em sala de aula.
Nossa redação continuará acompanhando os desdobramentos dessa pauta, ouvindo as famílias e fiscalizando a aplicação prática do direito à educação inclusiva em nossa cidade.









