No futebol amador, erro antigo não se conserta com nota
Quem vive o futebol amador de Dourados sabe: quando a coisa começa errada, o campo sente. E é exatamente isso que está acontecendo com a Liga Esportiva Douradense de Amadores (LEDA).
A nota que tenta convocar uma nova eleição já nasce desacreditada. Não é birra, não é perseguição. É simples lógica. Quem assina é o próprio presidente, o mesmo que há anos vem acumulando erros, decisões mal explicadas e omissões. Agora, tenta resolver tudo com uma nota oficial, como se papel resolvesse o que ficou pendente na prática — e ainda puxa outras entidades pra assinar junto, numa tentativa clara de dividir um desgaste que é, antes de tudo, dele.
No esporte amador, ninguém é ingênuo. Dirigente, treinador, presidente de clube, todo mundo se conhece. Todo mundo sabe quem trabalha e quem empurra com a barriga. Por isso, fica difícil engolir esse discurso de que agora, de repente, tudo vai se ajeitar com uma nova eleição, sem antes passar a limpo o que ficou para trás.
Vamos falar a verdade:
quem convoca eleição?
quem monta comissão eleitoral?
quem recebe chapa?
Isso não é conversa de bastidor. Está no estatuto. E estatuto não é detalhe, é regra do jogo. Se não respeitou lá atrás, por que alguém deveria confiar agora?
Mas o problema da LEDA não começou nessa eleição. Ele vem de antes. Vem de anos. E aí entra um ponto que todo desportista entende, mesmo sem ser contador: prestação de contas.
Qual clube aceita jogar campeonato sem saber se a liga está regular?
Qual dirigente sério não quer saber se a entidade tem pendência na Receita?
Cadê os balanços? Cadê os relatórios? Cadê as explicações?
Se houve tentativa de regularizar, ótimo. Mostra.
Se não houve, alguém falhou — e feio.
Entidade esportiva não vive só de bola rolando. Tem CNPJ, tem obrigação fiscal, tem responsabilidade legal. Quando isso é deixado de lado por anos, a conta chega. Chega em forma de certidão negada, convênio travado, recurso bloqueado e, em certos casos, responsabilidade pessoal de quem estava no comando.
E aí fica a pergunta que não quer calar: por que, ao invés de assinar nota, as entidades não chamaram o presidente pra sentar à mesa e explicar tudo? Explicar eleição, explicar contas, explicar o que foi feito — ou não foi feito — pra colocar a casa em ordem.
Esse é o papel de quem é filiado. Cobrar. Fiscalizar. Perguntar.
Nota sem resposta não resolve nada.
No futebol, quando o time vai mal por muito tempo, não dá pra dizer que foi azar. Vira problema de comando. E problema de comando não se resolve fingindo que o passado não existiu.
A LEDA é maior do que qualquer presidente.
É maior do que qualquer grupo.
É patrimônio do esporte amador de Dourados.
E patrimônio se cuida com transparência, responsabilidade e respeito a quem faz o futebol acontecer todo fim de semana. Sem isso, qualquer eleição vira só troca de nome — e o problema continua no mesmo lugar.
No futebol amador, a regra é simples:
quem erra, explica.
quem não explica, perde a confiança.









