O Estádio Douradão deixou de ser apenas um estádio. Hoje, ele é o símbolo de um problema muito maior que Dourados insiste em empurrar com a barriga.
Símbolo de obra sem planejamento.
Símbolo de gestão baseada no “apaga-incêndio”.
Símbolo do desperdício de um enorme potencial público.
Símbolo de patrimônio deteriorado pela falta de cuidado.
Símbolo do uso político sem responsabilidade técnica.
O abandono não é recente. Ele atravessa mandatos, discursos e promessas. Prefeitos passam, vereadores trocam, deputados aparecem em época conveniente, mas o Douradão continua ali, parado no tempo. E o mais irônico: muitos que já passaram pelo Legislativo se dizem esportistas. Conhecem o valor do esporte, mas nunca transformaram discurso em ação.
Dourados tem representantes estaduais e federais. Tem acesso político. Tem caminho para buscar recursos. No Ministério do Esporte, existem milhões disponíveis para infraestrutura. Mas sem projetos, não há verba. Nem o básico foi feito. Falta planejamento, falta proposta, falta alguém que enxergue o Douradão com visão de futuro.
Enquanto isso, problemas simples seguem ignorados. A iluminação do estádio, saqueada há anos, nunca foi reposta. Algo elementar, que permitiria jogos noturnos, eventos e vida ao espaço. Nem isso avançou.
Os números escancaram o absurdo: o Douradão foi projetado para cerca de 30 mil pessoas, mas quando abre, às vezes não recebe nem 7 mil. Já passou anos fechado ou interditado, recebeu reformas pontuais, paliativas, e nunca uma solução estrutural definitiva.
E o pior: exemplos não faltam. Cidades como Londrina, Cuiabá e Joinville mostraram que parcerias, concessões e gestão profissional funcionam. Então por que aqui não?
Se o poder público não consegue administrar, é hora de admitir e buscar alternativas. Um chamado público, uma concessão séria, com regras claras e fiscalização, pode salvar o Douradão. Não é entregar patrimônio, é evitar que ele continue se perdendo.
O que falta não é dinheiro. Falta pensar, planejar e agir.
Porque o Douradão não pode continuar sendo o retrato do descaso. Ele precisa voltar a ser palco de grandes jogos, grandes noites e orgulho para Dourados.
Cabeça que não pensa, deixa tudo cair.









