A militância LGBT no PL em Mato Grosso do Sul tem provocado um racha interno entre membros tradicionais do partido e novas lideranças que chegaram com a reconfiguração partidária. A divisão se intensificou após a filiação do ex-governador Reinaldo Azambuja, que trouxe quadros do antigo grupo governista e abriu espaço para representantes ligados à pauta LGBT.
Contexto da mudança: militância LGBT no PL e a filiação de Azambuja
A chegada de Azambuja ao PL, em 2024, acelerou mudanças na composição interna da legenda no Estado. Para setores conservadores, a presença de nomes oriundos do PSDB e a ocupação de espaços estratégicos significaram não apenas uma troca de lideranças, mas a consolidação de uma linha política mais pragmática, com menor ênfase nas pautas identitárias tradicionais da base bolsonarista — mesmo quando, paradoxalmente, a ampliação da militância LGBT no PL passou a ser apontada como fator de desconforto por parte desses grupos.
Histórico de políticas públicas e a pauta LGBT
O debate interno resgata medidas adotadas por Azambuja enquanto governador, como a criação da Subsecretaria de Políticas Públicas LGBT em 2017 e o decreto que instituiu o Conselho Estadual LGBT em 2018. Na época, ações foram apresentadas como avanços em direitos humanos; hoje são citadas por críticos como indício de continuidade dessa agenda dentro do PL.
Personagens que simbolizam a mudança
Figuras como o deputado estadual João Henrique Catan aparecem no centro da reconfiguração. Catan é apontado como padrinho político de nomes associados à nova fase do partido, como Isa Cavala e Firmino, ambos com atuação pública ligada à militância LGBT. Isa Cavala chegou a se filiar ao PL e depois migrou ao Republicanos, onde foi eleita vereadora mais votada em Dourados. Firmino é cotado nos bastidores como possível candidato a deputado federal.
Reação dos conservadores e riscos eleitorais
Militantes conservadores relatam sensação de perda de representatividade e criticam lideranças que, segundo eles, não teriam adotado postura firme para manter o caráter ideológico original do partido. O receio é que a ampliação da militância LGBT no PL e a suavização do discurso afastem o eleitorado que consolidou o PL como referência da direita no Estado.
Nos bastidores, a avaliação é de que o PL enfrenta uma crise de identidade: ganhar em estrutura e alianças pode resultar em perda de coesão ideológica. O futuro do partido em Mato Grosso do Sul dependerá da capacidade de conciliar ampliação política com manutenção de sua base tradicional.









