8º Encontro dos Amigos da Itasul: quando o tempo para, a memória fala e o futuro chama

No domingo (14/12), a Estância Teixeira, da família Vidal, no Assentamento Itamarati, deixou de ser apenas um endereço rural para se transformar em um verdadeiro cenário de reencontros históricos. O 8º Encontro dos Amigos da Itasul foi mais do que uma confraternização: foi um mergulho profundo nas lembranças, na amizade e na identidade de quem ajudou a construir a história da antiga Fazenda Itamarati.

A recepção, marcada pela simplicidade elegante e pelo calor humano, foi conduzida pela família Vidal e pelos organizadores Claudinho (Bature), Altair e demais colaboradores. Cada detalhe refletia cuidado, respeito e gratidão. À medida que os amigos chegavam, os abraços se tornavam mais longos, os olhares mais marejados e as palavras, muitas vezes, desnecessárias.

Entre os presentes, nomes que fazem parte da memória viva da Itamarati: Pelezinho, Vilarete, Gregório e Joaquim — árbitro e técnico dos times formados naquela época. Um verdadeiro timaço, que há mais de 35 anos não se reunia de forma tão simbólica. Ali, o tempo parecia suspenso.

A tradicional pelada foi organizada para relembrar os velhos tempos e promover a descontração. Hoje, todos veteranos — muitos com mais de 60 anos — mostraram que a paixão pelo futebol e pela amizade não envelhece. Cada passe carregava lembranças, cada risada tinha história. Um dos momentos mais emocionantes foi a presença de Feijão, que veio de Tangará da Serra para prestigiar o evento, reafirmando que distância nenhuma é maior do que a vontade de reencontrar amigos.

Após o jogo, o almoço reuniu todos em torno da mesa preparada com extremo carinho pelos anfitriões Pedro Vidal e Eliana. Mais do que comida, foi servido afeto. Durante o almoço, ao som do cantor Lúcio, o clima de nostalgia tomou conta do ambiente. Flashbacks, músicas marcantes e os passinhos dos anos 80 e 90 despertaram emoções guardadas por décadas — risos misturados a suspiros, lembranças que insistem em permanecer vivas.

Em um dos momentos mais simbólicos do encontro, Claudio (BaTURÉ)) fez questão de agradecer publicamente a todos os participantes pela presença. Em sua fala, ressaltou que, a cada edição, as dificuldades para organizar o evento aumentam, e pediu que todos se empenhem na colaboração dos próximos encontros. “Sozinhos não conseguimos. Esse encontro só existe porque cada um acredita e ajuda”, destacou.

 

 

 

 

Feijão, emocionado, agradeceu mais uma vez o convite e afirmou que, sempre que puder, estará presente. Para ele, rever amigos de longa data não tem preço — é algo que o tempo não apaga e a distância não separa.

 

 

Vilarete também tocou a todos ao relatar que, há mais de 35 anos, não revia muitos dos amigos ali presentes. Convidado pelo amigo Assis Padilha, disse que estar naquele lugar, rever cada rosto conhecido e voltar a um passado tão marcante foi algo impossível de descrever. “São lembranças que jamais serão apagadas”, afirmou.

Pelé e Joaquim

Outro relato que arrancou silêncio e emoção foi o de Pelezinho. Com a voz embargada, contou que vinha se preparando há muito tempo para estar naquele encontro e rever amigos de longa data. Mas tudo mudou quando soube, no grupo, que o amigo do coração, Joaquim, estaria presente. A partir dali, não mediu esforços. Enfrentou poucos horários disponíveis, seguiu até Ponta Porã e, ao chegar à rodoviária, descobriu que não havia ônibus para o Assentamento. A única opção era Uber, com um valor alto. Mesmo assim, não pensou duas vezes. “Poderia ser o dobro. O preço não importava. O que importava era chegar e abraçar meus amigos”, disse. Um relato que traduziu, em poucas palavras, o verdadeiro espírito do encontro.

 

 

Em um dos momentos mais fortes do evento, eu, Márcinho, compartilhei com todos como tudo isso começou. Voltei a 2017, quando eu e o amigo Wilson Sanguina, o eterno “Galo Cego”, estávamos tomados por uma saudade que apertava o peito. Não era uma saudade comum. Era daquelas que doem, que fazem a gente sentir falta não só das pessoas, mas de quem a gente era naquele tempo.
Entre uma conversa e outra, surgiu a ideia: “E se a gente reunisse todo mundo de novo?”

Foi então que procurei Eliana, esposa do Pedro Vidal. Lembro como se fosse hoje. Falei da nossa vontade, do nosso desejo de reencontro, e a resposta foi imediata: as portas estavam abertas. Naquele instante, não foi só um espaço que se abriu — foi o passado inteiro que ganhou permissão para voltar.

Quando o primeiro encontro aconteceu, a emoção tomou conta de mim de um jeito que não sei explicar. Rever, abraçar e olhar nos olhos de amigos que eu não via há décadas foi uma das maiores emoções da minha vida. Aquilo que começou pequeno ganhou uma repercussão enorme, porque a saudade era coletiva. Hoje, esse encontro é uma realidade viva, construída com união e sentimento verdadeiro.

Por isso, faço questão de agradecer de coração ao Pedro, à Eliana e a toda a família Vidal, que nunca mediram esforços para nos receber. Que Deus possa retribuir em dobro tudo o que essa família faz por nós. E deixo um pedido sincero: se você conhece alguém que viveu a Itamarati, convide, espalhe, chame. O tempo passa rápido demais para deixarmos os reencontros para depois.

Estar na Estância Vidal é como atravessar um portal do tempo. Mesmo com os anos a mais e o corpo mais cansado, algo inexplicável acontece ali. As dores somem. O coração se aquece. O passado encontra o presente em um abraço silencioso. É a Fazenda Itamarati lembrando a todos que certas histórias não envelhecem.

E talvez seja exatamente por isso que este encontro não termina quando acaba. Ele continua na expectativa, no sentimento e na certeza de que algo ainda maior está sendo preparado. Os próximos eventos prometem mais reencontros, mais histórias e emoções ainda mais profundas.

Fica o convite — quase um chamado — a todos que tiveram o privilégio de morar na Fazenda Itamarati: dezembro de 2026 será especial. Prepare-se para reviver sentimentos guardados por mais de 35 anos. Prepare-se para aquele abraço que o tempo tentou adiar, mas nunca conseguiu apagar.

Enquanto houver memória, amizade e saúde, esses encontros continuarão acontecendo.
Feliz Natal e um próspero Ano Novo.
O próximo capítulo já começou a ser escrito. Nos vemos em dezembro de 2026.

Manoel, Zezinho, Tuty, Marcinho, Pele e Joaqui,
Vicente Sonia …q
Sonia
Marcinho, Rose e Sonia

Pelé e Sonia
Dani, Rose e Suely
Amigos no Futebol
Gregorio, Marcinho, Pé de Boi, Vilarete, Feijão e Claudinho

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