Propina hospitalar: ex-gestor recebeu R$ 70 mil por compra

Propina hospitalar: ex-gestor recebeu R$ 70 mil por compra

A propina hospitalar de R$ 70 mil atribuída ao ex-presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Meeuwis Breure, é o centro das investigações da Operação “Dirty Pix”, que apura suposto esquema de corrupção e superfaturamento na aquisição de equipamentos. Segundo os promotores, os repasses ocorreram por meio de intermediários relacionados ao grupo empresarial fornecedor.

Investigação sobre a propina hospitalar e a compra de equipamentos

A apuração aponta que, em dezembro de 2022, o hospital adquiriu uma ressonância magnética e uma autoclave pela empresa Farma Medical (e empresa do mesmo grupo, Pharbox), num total de R$ 5,4 milhões. As autoridades suspeitam que manobras financeiras e o uso de intermediários tenham servido para ocultar pagamentos indevidos e possibilitar superfaturamento. No caso específico do ex-gestor, foram identificados dois depósitos a seu favor — um de R$ 60 mil e outro de R$ 10 mil — detectados e interceptados pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

Como os promotores descrevem o esquema

De acordo com os promotores responsáveis, intermediários funcionavam como camadas de separação entre o bloco empresarial fornecedor e os beneficiários finais. Entre as movimentações destacadas pela investigação, aparecem entradas sucessivas na conta de Júlio Cesar Alves da Silva — apontado como principal intermediador — nos valores de R$ 74.500, R$ 83.000, R$ 100.000 e R$ 225.000, totalizando R$ 482.500. Ao todo, a investigação registra movimentações suspeitas que chegam a aproximadamente R$ 582,5 mil envolvendo 13 pessoas.

Quem são os investigados e qual o papel dos intermediários

Além de Jacob, os promotores citaram Adriele Nogueira Trelha como mediadora dos depósitos para o ex-presidente do hospital. Ela é apontada como esposa de Júlio Cesar Alves da Silva. Segundo a denúncia, antes de repassar os valores a Jacob, Adriele teria recebido R$ 100 mil da Pharbox, empresa ligada ao mesmo grupo da Farma Medical.

É importante frisar que, conforme apontado na investigação, Jacob foi o único beneficiário a receber por TED (Transferência Eletrônica Disponível), diferentemente de outros envolvidos que teriam sido pagos por vias diversas via interpostos.

Repercussão política e papel do gestor

Personalidade conhecida nos bastidores políticos de Sidrolândia, Jacob havia sido escolhido como gestor do hospital por consenso entre grupos locais, justamente por sua suposta neutralidade diante da polarização política. Os promotores, contudo, investigam a possível correlação entre seu papel como gestor e a mobilização política para captação de recursos vinculada a pagamentos ilegais.

Medidas adotadas, prisão em flagrante e defesa

Na última fase da operação, o ex-presidente foi detido em flagrante e posteriormente liberado mediante pagamento de fiança por posse de arma de fogo sem registro. Sobre o artefato, a defesa informou que se trata de uma relíquia de família e de coleção; contudo, Jacob e seu advogado optaram por não aprofundar explicações no momento.

O advogado Wellison Muchiutti, que representa Jacob, nega que o ex-gestor tenha recebido benefícios pessoais dos fornecedores. A defesa sustenta que o gestor agiu em defesa do hospital, inclusive buscando judicialmente a entrega e o cumprimento dos contratos para resguardar a instituição de prejuízos, e que não há relação entre os depósitos detectados e sua administração.

Impacto para o hospital

O Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa depende de recursos do Governo do Estado e da Prefeitura para aquisições e manutenção. Esse contexto de dependência financeira, segundo as investigações, teria tornado a instituição vulnerável a práticas de captação de recursos que agora estão sendo apuradas. As autoridades avaliam que eventuais irregularidades nas compras podem ter causado prejuízos ao erário e prejudicado a execução adequada dos serviços de saúde.

Próximos passos da investigação sobre propina hospitalar

Os promotores responsáveis — identificados nos autos como Bianka Mendes, Adriano Libo Resende e Humberto Lapa Ferri — seguem coletando provas, analisando extratos bancários, contratos e comunicações entre os envolvidos. A investigação buscará esclarecer a extensão do suposto superfaturamento, a participação de todos os intermediários e a eventual ligação com agentes políticos locais.

As medidas futuras podem incluir pedidos de bloqueio de bens, novas diligências e, se houver indícios suficientes, oferecimento de denúncia criminal contra os responsáveis. Até o momento, a situação para os investigados é de apuração; não há sentença condenatória.

Transparência e acompanhamento

A complexidade das operações financeiras que envolvem múltiplos interpostos demanda atuação técnica e detalhada por parte do Ministério Público e das forças de combate à corrupção. A sociedade e os órgãos de controle têm papel-chave no acompanhamento dos desdobramentos, sobretudo quando envolvem recursos públicos destinados à saúde.

A propina hospitalar, conforme investigada, representa risco direto à confiança pública nas instituições que gerem serviços essenciais. O andamento do caso permitirá avaliar responsabilidades e reparar eventuais danos ao patrimônio público e à qualidade do atendimento hospitalar.

Essa matéria usou como fonte uma matéria do site O Jacaré

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