Uso de carro oficial em padaria: privilégio e impunidade no coração da Prefeitura de Dourados

No último fim de semana, um vídeo viralizou nas redes sociais mostrando, Chefe de gabinete do prefeito de Dourados, utilizando um veículo oficial da Prefeitura de Dourados em pleno final de semana, para frequentar uma padaria, trajando short, camiseta e chinelos. A cena, banal para qualquer cidadão comum, se transforma em símbolo de impunidade quando envolve o uso de patrimônio público em benefício particular.
Dois pesos, duas medidas
Se fosse um servidor de carreira — motorista, agente administrativo ou qualquer outro funcionário da base — bastaria um clique da corregedoria para instaurar sindicância, advertência e até suspensão. Mas quando se trata de um integrante da cúpula do Executivo, a regra muda: silêncio, condescendência e o velho jeitinho institucional.
Essa desigualdade de tratamento é o que mais revolta. A mensagem transmitida é clara: a lei é dura para os pequenos, mas maleável para os grandes.
Carro oficial não é “brinde de cargo”
A frota pública é custeada com o dinheiro dos contribuintes e deveria estar disponível apenas para fins administrativos. Usar carro oficial “sem a logo” da prefeitura para ir à padaria em fim de semana não é apenas uma “falha de conduta”, mas um desvio de finalidade, previsto na legislação como uso indevido de bem público.
Mais ainda: a cena de um chefe de gabinete em trajes de lazer, usando patrimônio do município como se fosse extensão de sua garagem, escancara um abismo ético na forma como alguns servidores tratam a coisa pública.
Impacto dentro e fora da Prefeitura
O episódio tem efeitos devastadores:
Para os servidores da base: gera revolta e sensação de injustiça, já que são cobrados com rigidez em qualquer deslize.
Para a população: reforça o descrédito nas instituições, que parecem fechar os olhos para práticas indevidas no alto escalão.
Para a gestão Marçal Filho: mina o discurso de moralidade administrativa e dá combustível para críticas de opositores.
O que a lei prevê
O uso irregular de bens públicos pode ser enquadrado em:
Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992, art. 9º e 10) – enriquecimento ilícito e uso indevido de patrimônio público.
Infração disciplinar – passível de sindicância e punição administrativa.
Crime de responsabilidade – se configurado abuso da função pública em benefício particular.
Portanto, o caso não é “apenas político”: é jurídico, administrativo e moral.
Qual a justificativa para o uso do carro oficial fora do expediente
Houve registro formal de deslocamento ou autorização expressa
Será instaurado processo administrativo para apurar a conduta?
Sem respostas claras, fica evidente o padrão de privilégio: os de cima usufruem, os de baixo apanham.
O episódio de Juarez de Oliveira não é apenas uma cena trivial em uma padaria. É um símbolo de como se lida com a coisa pública em Dourados. Quando servidores de base são perseguidos por deslizes mínimos, mas autoridades tratam bens públicos como se fossem pessoais, o que está em jogo não é apenas a frota da Prefeitura — é a credibilidade da gestão municipal.
E o povo, mais uma vez, assiste de longe: com a amarga sensação de que, no poder, a lei nem sempre é para todos.

Entramos em contato com o chefe de gabinete, porém não tivemos resposta, segue aberto para manifestação dos citados.

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