“Quando o direito vira privilégio: vereadora Isa “Cavala” que propõe ‘dedicação integral’ não cumpre compromisso mínimo”

Enquanto propõe que servidores públicos trabalhem em horário integral para “ampliar o acesso da população”, a vereadora Isa Marcondes vive à sombra de um paradoxo – abandona a sessão da Câmara com frequentes saídas de 20 minutos para fumar e tampouco sequer deixa de consomir o lanche que é oferecido aos vereadores e muitas vezes é vista na praça de alimentação do shoping . É prioridade: discursar sobre “dedicação ao público” ou zelar pela própria coerência institucional?
O discurso e o símbolo
A vereadora defende “ampliar o atendimento público municipal para os turnos manhã e tarde” para “atender trabalhadores e estudantes”. Douranews
Mas se no espaço mais simbólico da política — a própria sessão legislativa — ela demonstra descaso com o tempo de sua própria atividade, como cobrar do servidor público essa “dedicação integral”?
A política não é palco para slogans vazios, sobretudo quando o autor dos discursos não pratica o que prega.
O regimento, a lei e a ética
Sim, a legislação brasileira (Constituição + CLT + leis municipais) prevê períodos de descanso/intrajornada, inclusive pausas para lanche, necessidades fisiológicas etc, pois nem “cavala” é escravo para trabalhar direto na chibata, e tem os momentos de se alimentar e tomar água.
Mas cumprir o mínimo legal não dispensa o dever moral e institucional de respeitar o tempo de sessões, de não dispersar a atenção e de causar constrangimento aos colegas e à população.
Além disso, o regimento interno da Câmara e as normas de decoro parlamentar devem exigir que o vereador/vereadora permaneça durante os debates, salvo casos emergenciais comunicados anteriormente.
O exemplo (ou anti-exemplo) que se dá
A constância das saídas de 20 minutos para fumar vem sendo notada pelos que acompanham as sessões.
Se a vereadora sequer consome o lanche servido, qual é a justificativa para abandonar o plenário?
Isso enfraquece a legitimidade de qualquer proposta de “maior exigência” para os servidores — porque cria uma desigualdade de tratamento entre quem propõe as regras e quem é obrigado a segui-las.
Quando um agente público prega sacrifícios aos outros, mas não os pratica em seu próprio mandato, está alimentando um discurso moralista hipócrita.
A credibilidade política depende do alinhamento entre palavras e atos.
A vereadora parece querer que outros “se sacrifiquem” (trabalhem mais, em horário integral), enquanto ela mesma se exime de cumprir minimamente sua obrigação parlamentar.
A cada interrupção, perde-se tempo de debate, perde-se ritmo, perde-se foco.
Os cidadãos que assistem à sessão ou dependem das decisões ficam com a impressão de que há desrespeito institucional.
Se um vereador ou servidor público propõe “dedicação integral”, mas não demonstra disciplina mínima, qual inspiração ou autoridade isso gera?
Que a vereadora assuma formalmente um compromisso público: não sair da sessão sem aviso prévio, limitar pausas e justificar cada intervenção ausente.
Que o regimento da Câmara seja revisado para que interrupções intempestivas sejam coibidas ou punidas (advertência, advertência pública, desconto proporcional etc.).
Que o debate sobre horário integral aos servidores não descambe para discursos vazios — que venha acompanhado de estudos de impacto, compensações, diálogo coletivo — e sobretudo que os proponentes deem o exemplo na própria conduta.
A sociedade não merece ser sacudida por discursos de “sacrifício coletivo” enquanto certos políticos se utilizam de privilégios silenciosos.
Se a vereadora quer exigir mais tempo, mais dedicação, mais compromisso de servidores públicos, que primeiro faça o dever de casa: cumprir com seriedade sua obrigação de parlamentar, sentada, atenta, presente.
Que os cidadãos, os colegas vereadores e a imprensa fiscalizem, cobrem coerência e reputação política — porque política não se faz apenas com palavras, mas, sobretudo, com atos.

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